Transporte de Animais em Veículos Particulares: O que Diz a Lei?

Transportar animais em veículos particulares é uma prática comum para muitos brasileiros, seja para levar os pets ao veterinário, em passeios ou em viagens. No entanto, essa atividade requer atenção e cuidados específicos para garantir a segurança dos animais, dos passageiros e dos demais usuários das vias. No Brasil, a legislação de trânsito estabelece regras claras sobre o transporte de animais em veículos particulares, com o objetivo de evitar acidentes e garantir um trânsito mais seguro para todos. Neste post, vamos explorar o que a lei brasileira diz sobre o transporte de animais em veículos, as normas vigentes, as penalidades para o descumprimento dessas regras e as melhores práticas para realizar esse transporte de forma segura e legal.

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A Legislação Brasileira e o Transporte de Animais

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), instituído pela Lei nº 9.503 de 1997, é a principal norma que regula o trânsito de veículos em território nacional. No que diz respeito ao transporte de animais, o CTB estabelece regras específicas que visam garantir a segurança no trânsito. O transporte inadequado de animais pode distrair o motorista, comprometer a estabilidade do veículo e, em casos mais graves, causar acidentes. Para evitar esses riscos, a legislação brasileira determina que o transporte de animais deve ser feito de maneira segura e controlada.

O artigo 252 do CTB trata diretamente da questão do transporte de animais em veículos particulares. De acordo com esse artigo, é proibido ao condutor dirigir o veículo:

  • Inciso II: “Transportando pessoas, animais ou volume à sua esquerda ou entre os braços e pernas”;

Esse inciso deixa claro que é proibido transportar animais soltos no colo ou entre os braços e pernas do motorista. A infração é considerada média, resultando em uma multa de R$ 130,16 e a adição de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Além disso, o condutor pode ser autuado se o animal estiver solto dentro do veículo de maneira que possa interferir na condução.

O artigo 169 do CTB também pode ser aplicado em situações onde o transporte de animais coloque em risco a segurança do trânsito. Esse artigo estabelece que “dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança” é uma infração leve, com multa de R$ 88,38 e três pontos na CNH. Se o animal estiver solto no veículo e puder distrair ou atrapalhar o motorista, o condutor pode ser autuado com base nesse artigo.

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Normas Complementares e Recomendações

Além das disposições específicas do CTB, o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) e outras entidades reguladoras têm emitido orientações e normas complementares para o transporte seguro de animais em veículos particulares. Essas recomendações incluem o uso de equipamentos adequados para garantir que o animal esteja seguro durante o transporte, como caixas de transporte, cintos de segurança para pets, grades divisórias e redes de proteção.

Caixas de Transporte: As caixas de transporte são uma das opções mais seguras para o transporte de animais, especialmente para animais de pequeno e médio porte. Elas devem ser de tamanho adequado, permitindo que o animal fique em pé, se deite e se mova confortavelmente. A caixa deve ser bem ventilada e deve estar fixada ao banco ou ao chão do veículo para evitar que se desloque em caso de manobras bruscas ou colisões.

Cintos de Segurança para Animais: Outra alternativa é o uso de cintos de segurança próprios para animais. Esses cintos são presos ao cinto de segurança do veículo e ao peitoral do animal, permitindo que ele fique seguro e preso ao banco do carro. O uso do cinto de segurança para animais é recomendado para cães de médio e grande porte, que podem ter dificuldade de se adaptar a caixas de transporte.

Grades Divisórias e Redes de Proteção: Para veículos utilitários ou SUVs, grades divisórias podem ser instaladas para separar o compartimento de carga da cabine, permitindo que o animal viaje na parte traseira do veículo sem interferir na condução. Redes de proteção também podem ser usadas para limitar o acesso do animal à parte dianteira do veículo.

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Consequências do Transporte Inadequado

Transportar animais de maneira inadequada pode resultar em consequências graves, tanto do ponto de vista legal quanto em termos de segurança. Além das multas e penalidades previstas no CTB, um transporte inadequado pode causar acidentes de trânsito, colocando em risco a vida do animal, dos ocupantes do veículo e de outros usuários da via.

Em caso de acidente, se for constatado que o transporte inadequado do animal contribuiu para a ocorrência, o motorista pode ser responsabilizado civil e criminalmente. Isso inclui a possibilidade de responder por lesões corporais ou até mesmo homicídio culposo (quando não há intenção de matar), caso o acidente resulte em morte.

Além disso, o transporte inadequado pode causar estresse e sofrimento ao animal, que pode se machucar durante o trajeto ou se sentir inseguro. Por isso, é fundamental que o transporte seja feito de forma a garantir o conforto e a segurança do pet.

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Melhores Práticas para o Transporte de Animais

Para garantir um transporte seguro e conforme as normas legais, é importante adotar algumas práticas recomendadas. A seguir, listamos algumas dicas para transportar animais em veículos particulares de forma segura:

1. Utilize Equipamentos Adequados: Como mencionado anteriormente, caixas de transporte, cintos de segurança para animais, grades divisórias e redes de proteção são fundamentais para garantir a segurança do animal e do motorista.

2. Acostume o Animal ao Transporte: Antes de realizar viagens longas, é recomendável que o animal se acostume com o veículo. Faça pequenos passeios para que ele se familiarize com o ambiente e com os equipamentos de segurança.

3. Evite Alimentos Antes da Viagem: Alimente o animal com pelo menos duas horas de antecedência da viagem para evitar enjoos e desconforto durante o trajeto.

4. Mantenha a Ventilação Adequada: Garanta que o veículo esteja bem ventilado, mas evite que o animal coloque a cabeça para fora da janela, o que pode causar lesões e acidentes.

5. Faça Paradas Regulares: Em viagens longas, faça paradas regulares para que o animal possa se movimentar, beber água e fazer suas necessidades. Isso ajuda a reduzir o estresse e a fadiga.

6. Nunca Deixe o Animal Sozinho no Veículo: Em dias quentes, a temperatura dentro do carro pode subir rapidamente, causando hipertermia e até a morte do animal. Nunca deixe o pet sozinho dentro do veículo, mesmo que por um curto período.

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O transporte de animais em veículos particulares é uma prática comum e, ao mesmo tempo, cercada de responsabilidades. Seguir as normas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro e adotar as melhores práticas de segurança são medidas essenciais para garantir a proteção dos animais e a segurança no trânsito. O respeito à legislação não apenas evita multas e penalidades, mas, acima de tudo, protege vidas.

Para mais informações, consulte as fontes oficiais:

DETRAN-MG (https://transito.mg.gov.br/